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O meu amigo vampiro apalhaçado

Desafios da Escrita
29 de set. de 2021
2 min de leitura

Foi naquela casa friorenta e tenebrosa que vi, pela primeira vez, uma das criaturas mais bizarras.

Ainda me lembro bem que era inverno e, por isso, vestia umas três ou mais camisolas para me agasalhar bem. A minha mãe, que já me tinha chamado para jantar, múltiplas vezes, tentava correr atrás de mim enfurecida, mas eu, sendo uma criança de 5 anos tão curiosa e inquieta, não lhe fiz caso. Fugi dela querendo explorar melhor a casa misteriosa onde passaríamos o Natal daquele ano. Corri, por vezes, atrapalhando-me com as escadas e emitindo barulhos que faziam eco pela casa.

Recordo-me que, assim que o vi, congelei, ficando imóvel a meio de um dos corredores. Ele era estranhíssimo. Estava coberto por uma bata preta que o fazia parecer ainda mais alto. Tinha um olho de cada cor, um amarelo e o outro vermelho. Já os seus dentes eram muito afiados e um pouco assustadores. A sua face estava pintada e realçava umas esferas vermelhas nas suas bochechas. Era uma criatura estranha, porém incrível.

Surpreendentemente, não gritei ou fugi dele. Olhei-o por mais um tempo por estar fascinada com a sua aparência, e logo depois acenei hesitante.

- Não te assustes… - ele tentou aproximar-se, dizendo-o num tom grave, mas tristonho.

Eu ouvi tudo o que ele tinha a dizer e, na verdade, descobri o quão bondoso ele era. Depois perdi totalmente o medo.

Falamos quase a noite toda, mas por conta do cansaço, sei que adormeci, caindo num sono profundo a meio do corredor.

Nos dias seguintes, ele nunca mais apareceu, mas naquela noite tive um amigo.

Agora, já crescida, revivo as memórias daquele dia e apercebo-me que sinto tanto a falta de um.



Jénifer Reis, - 11º25 - 2020/2021

 
 
 

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