Olhar para o nada
Desafios da Escrita
2 de out.
1 min de leitura
Às vezes, fico a olhar para o nada. Literalmente, nada. A parede, o céu, o chão da sala. As pessoas acham que estou distraída ou a pensar em coisas sem sentido, mas, na verdade, é quando eu vejo tudo. Quando olho para o nada, a minha mente começa a encher-se de pensamentos. Lembro-me de coisas que já aconteceram, de coisas que eu queria que tivessem acontecido e de coisas que ainda podem acontecer. É estranho, porque parece que quanto menos eu vejo com os olhos, mais eu vejo por dentro. O nada não é silêncio.
Consigo perceber medos que não digo a ninguém, sonhos que eu tenho vergonha de admitir e perguntas que ainda não têm resposta. Olhar para o nada é como dar um intervalo ao mundo para o nada; é como dar um intervalo ao mundo para me entender melhor. Talvez crescer seja isso: aprender a parar, olhar para o nada e perceber que, mesmo quando parece que não há nada, há sempre tudo dentro de nós.
Cláudia, 12º 27


Comentários