Olhar par o nada e ver tudo
Desafios da Escrita
2 de out.
1 min de leitura
Olhar para o nada e ver tudo parece uma frase estranha, mas acontece mais vezes do que a gente imagina. Às vezes, ficamos a olhar para uma parede, para o céu vazio ou para o mar parado e, mesmo assim, a cabeça enche-se de coisas. Não é bem o nada, é um espaço onde os pensamentos ganham coragem para aparecer. No meio do silêncio começam memórias, ideias malucas, medos antigos e sonhos que andavam escondidos. É quase como se o mundo de fora ficasse em pausa só para o de dentro poder falar um bocado. Há quem diga que isso é perder tempo, mas, se calhar, é das poucas alturas em que estamos mesmo atentos. Olhar para o nada também cansa, porque pensar a sério não é assim tão leve como parece. Às vezes, aparecem perguntas que não têm resposta nenhuma, e ficamos ali meio perdidos, mas, ao mesmo tempo, acordados. O nada vira um espelho e nem sempre gostamos muito do que vemos lá. Mesmo assim continuamos, porque há qualquer coisa de importante nesse vazio cheio de tudo. É quando reparamos em detalhes que antes passavam ao lado, sentimentos pequenos, saudades que nem sabíamos que estavam ali. Parece magia, mas não é, é só a mente a arrumar gavetas que andavam abertas há anos. Também dá medo, não vou mentir, porque parar obriga a sentir coisas que normalmente empurramos para depois. Só que esse depois nunca chega se a gente não parar um bocado.
No fundo, olhar para o nada é uma maneira de tentar perceber o tudo, mesmo que não se perceba quase nada no fim.


Comentários