top of page

Uma lição de ciências naturais

Desafios da Escrita
1 de jul. de 2021
3 min de leitura

Era uma manhã amena de primavera. Maia e a sua avó Fernanda passeavam pelo vasto prado de flores silvestres da propriedade da família. O espaço, extremamente, agradável oferecia uma grande paz e conforto, para não falar do contacto com a natureza que era importantíssimo para crianças da idade de Maia. A avó, preocupada, justamente, com o desenvolvimento saudável da neta, levava-a em passeios regulares e aproveitava para se exercitar e apanhar um pouco de sol. Ao que tudo indicava, seria mais um passeio normal no qual Maia correria atrás de borboletas, esconder-se-ia entre as árvores e rolaria pela vegetação rasa, enquanto a avó tentaria acompanhá-la. Mas Maia parecia muito mais calada do que o habitual. Fernanda, que observava atentamente a neta, estranhou a quietude e aproximou-se da pequena. Qual não foi o seu espanto ao ver que a menina estava a tentar alcançar uma colmeia de abelhas:

- Desce daí devagar, Maia! Para de tentar incomodar as abelhas. Elas vão picar-te se estragares a casa delas - disse a avó, tentando parecer calma para não fazer com que a neta fizesse movimentos bruscos. Maia já sabia que não podia ser barulhenta nem espalhafatosa perto de abelhas, então, saiu de perto da colmeia, silenciosa e calmamente. Enquanto se aproximava da avó, que estava visivelmente zangada, começou a falar:

- Desculpa avó… Em estudo do meio, a professora está a falar sobre as abelhas. Ela mostrou-nos vídeos e imagens sobre a estrutura social delas. Sabias que elas dançam para se comunicarem? E que os bebés estão nos favos? E que há a abelha rainha, as operárias e os zangões? Sabias que elas fazem reservas de mel e camadas de resina chamadas de própolis, que reforçam a colmeia? Oh! E sabias que o mel é o cuspo do pólen da boca das abelhas? É nojento, eu sei.

A avó estava muito surpresa com o conhecimento da neta e, apesar do susto, não escondeu a sua felicidade. Aproveitou e tentou ver o quanto Maia sabia sobre as abelhas:

- Hm, então estavas a tentar ver se conseguias observar tudo isso de perto.

Maia acenou com a cabeça.

A manhã passou a correr e quando se aperceberam já passava da hora do almoço. Voltaram para casa decididas a ajudar o planeta. Não foi mais um passeio agitado como os de costume. As duas sentaram-se encostadas a uma árvore enquanto falavam sobre as abelhas. Maia aprendeu muita coisa sobre como as abelhas são importantes para a polonização das flores e aprendeu que, sem elas, ficaríamos com uma variedade muito reduzida de alimentos. Aprendeu sobre como os agroquímicos e agrotóxicos estão a matar as abelhas e aprendeu sobre como a própria produção de mel é horrível e tortuosa para elas, que trabalham durante toda a vida para produzirem o seu alimento (uma colher de sopa de mel equivale ao trabalho da vida inteira de 8 abelhas) e acabam por vê-lo ser roubado e por ver os seus próprios bebés a morrerem no processo. Ela entendeu o porquê da avó nunca comprar mel e de usar melado de cana, calda de agave, néctar de coco e xarope de ácer em vez do mel. Alguns destes “substitutos” são até mais saudáveis porque o mel contém muito açúcar e é das principais causas do aparecimento de cáries em crianças e pode, também, contribuir para o desenvolvimento de diabetes tipo II. Ao ver que as abelhas são vítimas da poluição ambiental, Maia começou a preocupar-se muito mais com o tema e a avó ajudou-a, com prazer. Agora, Maia agradece às abelhas por polonizarem as plantas e por aumentarem o oxigénio e a variedade de cor no seu prato.

Ambas, neta e avó, tornaram-se ainda mais apaixonadas pela natureza e faziam tudo ao seu alcance para ajudar o planeta terra.

Escusado será dizer que, na aula de estudo do meio, depois daquele passeio, Maia deu uma lição à turma sobre as suas novas amigas. As preciosas abelhas!




Carolina Ferraz / 11º 25 / 2020/21

 
 

Posts recentes

Ver tudo
Um pingo de café

Um pingo de café caiu na mesa da cozinha e eu fiquei a olhá-lo, sem razão nenhuma, como se aquilo tivesse algum significado. Tinha acordado tarde outra vez, a casa estava completamente calada e o chei

 
 
E se Fernando Pessoa dançasse…

Imaginar Fernando Pessoa dançando é quase engraçado. Ele, todo cheio de pensamentos, com aquela forma de quem vive mais na cabeça do que no corpo, tentando se soltar no ritmo de uma música. Acho que,

 
 
Olhar par o nada e ver tudo

Olhar para o nada e ver tudo parece uma frase estranha, mas acontece mais vezes do que a gente imagina. Às vezes, ficamos a olhar para uma parede, para o céu vazio ou para o mar parado e, mesmo assim,

 
 

Arquivo

Publicações

Open%20Book_edited.jpg

PALAVRAS COM ALMA

Desafios de Escrita

Logotipo-Branco.png

© 2020 por Desafios de Escrita | ESFF

Obrigado por enviar!

bottom of page